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segunda-feira, 26 de abril de 2010

do ser cosmopolita

[devendra só pra dar o clima!]



em 2008, conversei com uma professora peruana que mora em NY há muito tempo. na época, eu queria ir estudar na NYU e estava pedindo dicas pra ela sobre o assunto.

a preocupação maior da moça era se eu aguentaria morar longe da família. e pior: se eu aguentava não pertencer a lugar nenhum. quando ela soube que eu não morava com meus pais já há 3 anos e que eu não morava na minha cidade natal desde 2001, ela não teve mais medo e me explicou uma coisa que agora eu entendo melhor, morando na quarta cidade (brasília-DF, picos-PI, porto alegre-RS, são paulo-SP).

a gente acaba sendo de todos os lugares e não sendo de lugar nenhum.

[excluindo picos, no piauí, em que morei com um ano e saí com dois; logo, me lembro de beeeeeem pouco quase nada. só que a minha mãe matava cobras com havaianas...]

assim, ouvir legião urbana tem um gostinho diferente. e tem sentido o renato russo rezar pra nossa senhora do cerrado proteger quem atravessa o eixão às seis horas da tarde. comer quebra-queixo do tio que passa gritando: "olhaeeeeeeeeeeeeeeeee o quebra-queixoooooooooooooooooooooooo" traz a lembrança de infância, gosto de casa de vó. assim como comer carambola com sal, sentir cheiro de piqui na feira, adorar carne de sol, falar torrone (e não mandolate), chupar din-din. e, claro, ser apaixonada por aquele horizonte, o  pôr-do-sol mais bonito do brasil (não é do guaíba), achar a arquitetura a coisa mais normal do mundo e ter as nuvens mais algodãozinho de todas. falar porrrrta, carrrrne faz parrrrte do charrrrme!

daí, temos o outro lado, gurizada. de quem aprendeu a adorar a lancheria do parque, o beco 203, o mister dam, o bells, o bamboos. de quem reclama de bairrismo, mas que quase chorou ouvindo kleiton e kleidir ontem: "que saudade da redenção / do fogaça e do falcão / cobertor de orelha pro frio / e a galera no beira rio*". do fogaça eu não tenho saudades não. mas de passear na redenção, morgar na grama... até da porcaria do jornal do almoço e do tele domingo, só pra falar mal!!!! de quem canta amigo punk, miss lexotan, sob um céu de blues... ou seja, quem aprendeu a se misturar na multidão, apesar de sempre dizer: "não, eu não sou gaúcha!"

e, no fim, eu, brasiliense até no r, to aqui... além de sentir falta de brasília, to com saudades de porto alegre! não chorei ao partir, mas um dia eu voltarei. pra rever o guaíba e comer meio xis-português com fritas no cavanhas e uma polar!


* tá, Inter! mas também não precisava sentir minha falta e perder ontem pro grêmio, timeco, no beira rio, né???

sábado, 3 de abril de 2010

diário calango - pascoal parte 2

tem coisas das quais o trópico de capricórnio me protegia. eu quero estar abaixo dele de novo...

buáááááááá

as propagandas assustadoras do dolly guaraná, por exemplo.

como eu vou dormir, sozinha, num quarto de solteira, do lado dos meus pais, com a imagem de crianças assustadoras vestidas de coelhos da páscoa beijando uma garrafa verde dentuça em que está escrito DOLLY e dizendo com suas vozes de crianças assustodoras: "dolly guaraná, eu te amo"???

vou ter mais pesadelos do que quando tentei assistir "O exorcista".

certamente irei dormir no quarto dos meus pais de madrugada...

como assim amar o dolly guaraná verde??? deve ter uma mensagem subliminar...

sexta-feira, 19 de março de 2010

do isqueiro perdido de vez

prefácio
todos sabem da existência de gnomos que roubam isqueiros. sempre que vamos acender um cigarro, o isqueiro simplesmente não está onde juramos que deixamos. pois bem...

***

lá estava eu no carro, voltando da faculdade. cigarro e isqueiro no colo, conversando normalmente com a mana. decide-se, então, parar num posto para reabastecermos o tabaco-nosso-de-cada-dia e comprar biritinhas para mais tarde.

coloco o cigarro no painel e esqueço do querido do isqueiro. ele cai entre as grades que constituem o grande ralo do posto.

imediatamente me frustei. afinal, isqueiros são perdidos naturalmente, sem dramas, sem vermos, sem tristeza. eles vão para o mundo dos gnomos, em que fazem sei-lá-o-quê. mas parecem felizes no lugar e com a função, porque não voltam.

porém, meu isqueirinho preto foi-se traumaticamente. mais do que óbvio, tentei enfiar a minha mão tamanho mini por entre as grades. ela entrava, mas não forcei com medo de não sair. então, seria eu e o isqueiro a estarmos perdidos para sempre no ralo.

me resignei e fui comprar o cigarro.

fiquei manhosa por algum tempo. pensando no isqueiro. frentistas foram mobilizados em vão. ele ficou abandonado no escuro.

dois dias depois, penso que foi melhor assim. arranjei outro isqueiro. continuei a minha vida. toda vez que passar pelo posto vou lembrar como perdi o belo isqueiro preto. mas não tem chororô. já foi...

***

posfácio
encarem como uma metáfora também...

terça-feira, 9 de março de 2010

das questões de belo-belo

chega!

já deu! já senti demais...

é que chega numa hora em que o coração diz chega! chega mesmo. a gente usa demais, ele bate demais, ele geme demais e chega! parou...

tum tum tum tum e pá... pá  -   rou!

e nem adianta mais dizer que na próxima encarnação veio bicho de-não-sentir-dor que não-sentir não é coisa de bicho. eu virei gato... e gato sente mesmo. é só olhar na cara deles. nos olhos deles.

então, não adianta fugir.

mas chega... porque nessa de eu não querer não sentir mais nada, eu acabo sentindo muito.

e o seu bandeira vem cheio de marra pra cima de mim e faz piadinha de belo-belo. fazendo questão de nenhuma escolha; escolha pra eu ter tudo o que quero mas pra eu querer o que nunca tive.

e dizer trinta e três num pneumotórax flamejante no meu vigésimo cigarro saudoso...

putz! sentir falta do que não se tem é pesaroso...

o pior é querer ser um minotauro sozinho no labirinto, desejando ser morto por um único teseu! aquele que eu mino e que me enche de aindas...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

asma (ou é que viver me tira o ar)

eu sofro de asma desde que me sei por gente.

na verdade, muitas das lembranças de infância são no meio de nebulizações no hospital. depois que completei uns dez anos de idade, passou como por encanto. dizem as más ou boa línguas que a secura do ar da capital federal favorece o meu quadro. não tenho ataques lá. não fico com tosse. não tenho falta de ar. respiro naturalmente. nem parece que sofro de qualquer coisa.

quando me mudei para o sul do país, em janeiro de 2001, junto com o novo milênio, eis que me vejo sem ar de novo. e com um novo agravante: a falta de ar não vem quando corro, quando tem poeira ou qualquer coisa que me dá alergia. vem com o frio, com o vento, com algo gelado e com, pasmem, o ventilador no verão.

me vejo agora nesse calorão de quinze bilhões de graus e eu aqui sem poder ligar meu bom e velho ventiladorzinho que nem soprinho faz porque to quase morrendo.

não pude molhar meu biquininho na piscina porque to com asma.

e passei a tarde fazendo meu queridinho ex-aluno fabrício diel passar calor comigo e cuidar do nebulizador por causa da asma...

viver me tira o ar... eu bem poderia ficar sem ar por outras coisinhas, né? sem ar, com borboletinhas no estômago, olhinhos brilhando... não pela asma... por deus...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

minotaura

quando aviso da minha incompetência corporal, muitas vezes sou desacreditada. depois da mão quebrada, do dedo partido, da unha quebrada e do coração derretido, arrebentei minha orelha.

simples: tirei a decoração de natal da casa (apesar de achar o natal breguíssimo, sempre deixo a casa pronta pro papai noel). recoloquei a decoração antiga e novos quadros no corredor.
passando, de madrugada (novamente não dormida) pelo corredor, para simplesmente colocar um pijaminha... eu só queria ficar feliz no meu pijaminha!
errei a conta: desviei do móvel e bati o rosto e a orelha no quadro novo... ironia... o rosto ficou roxinho...
mas a orelha!
lembram do minotauro? pois é...
pelo menos agora posso me enfiar num labirinto qualquer!

sábado, 21 de março de 2009

na fissura (ou a epopéia da mão quase quebrada)

era uma manhã de quinta-feira qualquer. na verdade, não era: estava indo substituir uma colega no primeiro período, dar aula de filosofia da linguagem. acordei às 6h30 como de costume, escovei os dentes, vesti a roupa, tomei meu chamyto matinal... tudo ia muito bem, obrigada!

eis que tinha um rato em meu caminho. explico: meu gato chamado vaca ganhou um rato chamado rato de presente. o rato é amarelo neon com olhos rosa neon. não compreendo como não vi o rato, mas... tropecei! pra não cair de cara no chão, de alguma forma girei no ar. ao cair de bunda, apoiei todo meu peso na minha mão direita.

com a mão muito dolorida (entre outras partes do corpo), fui trabalhar. expliquei pros alunos da 92 que não conseguiria escrever no quadro e fui totalmente compreendida. com os outros alunos da 101 também. e me mandei de tarde pra ser nomeada em gravataí.

não, eu não fui ao médico, apesar da dor.

como não usei a mão, estava tudo bem... sem dor! sexta-feira, então, fui dar aula... escrevi feito uma louca no quadro, corrigi trabalho, escrevi no caderno de chamada. cheguei em casa chorando!

foi aí que decidi ir ao médico.

prevendo uma possível imobilização, lavei toda a louça morrendo de dor, dobrei toda a roupa e tomei banho. cheguei no médico às 14h.

14h15 estava sendo atendida:

pegaeapertaobraçoquedói
pegaepõenaposiçãonoraioxobraçoquedói
pegaeapertamaisumpoucoobraçoquedói
pegaeimobilizaobraçoquedói
receitaremédiosprobraçoquedói

saí do hospital chorando!

resultado: fissurei um osso da mão e machuquei o punho. até terça imobilizada até tirarem uma nova radiografia e, provavelmente, colocarão uma nova tala gessada. na mão direita não tem uma roseira... tem a imobilização.

e imaginem morar sozinha, digo, com um gato sem poder mexer uma das mãos? hoje, não vou nem almoçar!

(o post acima foi escrito com uma mão só)