quinta-feira, 14 de outubro de 2010

das frases de efeito

eu não devo ser normal. não devo mesmo.

eu geralmente me assusto se as pessoas dizem que me amam, ou dizem que gostam de mim. normalmente coisas como "você é bonita", "você é legal" (ou um simplesmente "você é especial") me assustam e me fazem querer correr léguas. mudar de cidade. mudar de endereço. mudar de chip e operadora. sem portabilidade.

eu sempre disse que o primeiro melhor elogio que recebi na minha vida veio de modo inesperado e foi o caio dizendo que meus olhos eram cor de lodo. ao ele ver a minha terna surpresa, ele completou: "sim, de água suja!". o que para todas soaria como uma baita ofensa, para mim soou como a declaração mais lindinha do universo. diferente. inédita. muito diferente de me chamar de "meu bem", como todo mundo chamaria. "meu amor", "xuxuzinho", "gata*", enfim, ineditismo, pra mim, é o canal da minha ausência de coração.

e eis que escutei uma que me fez ganhar a semana. as circunstâncias não importam (até porque não posso narrá-las agora), mas a frase veio solta, depois de eu dizer um monte de baboseira (como sempre):

"é sempre bom ter uma mulher imperfeita do lado... faz a gente se sentir real, vivo..."

enquanto 99,9% das mulheres achariam isso um atestado da sua incompetência em serem perfeitas, eu achei isso um atestado da minha não necessidade em ser perfeita. eu posso ter celulite. eu posso ser besta, falar bobagem. eu posso ser o que eu quiser. não perciso ser uma boneca de cera. eu posso ser a mulher de verdade.

daí, a gente agradece a liberdade que uma frase pode dar. e, mesmo nem sendo um relacionamento, a gente fica feliz de receber o melhor elogio de todos, assim, na cara!

*"gata" só se for seguido de "se tu quer banana split", bem à maneira dos cascavelletes...

domingo, 10 de outubro de 2010

da soundtrack

quem gosta de música sabe que a gente cria pequenas soundtracks, se sentindo num filme. talvez para melhorar o silêncio ou o barulho com que convivemos no dia a dia.
eu tenho temas para todos os momentos da minha vida... e, apesar de tudo, meu tema de são paulo é gaúcho.

ligando o isqueirinho e cantando com ele: WANDER WILDNER...



"por que logo essa música, hires?" perguntam meu dois leitores e meio.

porque tudo que tu quer nessa cidade imensa é ser tudo, né? lindo, maravilhoso, poderoso... e, no fundo, eu só quero ser mais uma no meio da multidão, ou seja, eu sempre volto atrás.

(e to querendo deixar meu cabelo crescer, mas to pensando em cortar mais também!)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

do "quer saber"?

saí de porto alegre porque estava irritada em dar explicações da minha vida.

aí tenho um blog.

quer saber?

não gosta de mim, da minha vida, do meu sapato bicolor, do cabelo, da maquiagem?
não entra no meu blog, porra!

raulzito diria: quem não tem colírio usa óculos escuro
o poeta diria: conte até dez
e eu digo: tomar no teu c*...

vê se eu to na esquina tomando cerveja...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

do inferno astral

creio que para poucas pessoas o aniversário signifique mudanças drásticas quanto pra mim.

todo ano, desde 1984, tudo que deve acontecer na minha vida de virá-la de cabeça para baixo rola em outubro/novembro. nunca em janeiro, julho ou em março. É ali, antes de eu completar uma nova idade ou logologo depois.

provas?

quando minha família decidiu se mudar de brasília (onde nasci e morei por 16 longos anos) para porto alegre? em outubro de 2000.

quando pirei na batatinha em porto alegre, piração que culminou na minha mudança para são paulo? em novembro de 2009.

quando foi que deixei de ser a morena do milton para ser a morena de mim mesma? em novembro de 2008.

nesse ano já começou a rolar a mudança... o que me espera mais?

(e eu que sempre digo que adoro mudanças começo a ter muito friozinho na barriga)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

do come back

será que voltei...?

enfim, here we go again...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

da chuva de são paulo

em são paulo chove pra caramba....

é chuva forte, é chuva fraca, é garoa, é chuva média....

e, perdoe a minha ignorância, em são paulo a chuva molha mais do que tudo nessa vida! qualquer pinguinho encharca...

e vai saber qual é o mistério da chuva de são paulo?

durante alguns dias, eu pensava que era apenas uma maneira de ficar tudo mais cinza.

depois de um tempo, eu entendi que a chuva de são paulo é bem um verso do cordel do fogo encantado:

"e a chuva vem pequena e grandiosa
acalenta ou revira o nosso lar"

a chuva, no meu caso, revira a minha vida, com a readaptação a tudo. mas, ao mesmo, acalenta porque a vida é muito muito melhor agora...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

da mudança que dá medo

três meses em são paulo acampada... morando no escritório da mana, dormindo num sofá-cama...

ontem, recebi a notícia de que minha mudança está chegando para meu apartamento já alugado.

mesmo que o emprego já estivesse aqui e eu nem por um momento tenha pensado em voltar, acabei de cortar o último laço. ou seja, meu lar, definitivamente, agora é são paulo.

já me acostumei a pegar o pompeia às 7h40 descer na consolação entrar no elevador subir no 13eiro andar encontrar meus colegas felizes descer quando dar pra almoçar subir uma hora depois sair quando termina o trabalho (seja às 17h30, horário normal, ou 7h30 da manhã do dia seguinte) voltar pra casa e esquecer a redenção.

e agora eu tenho um canto só meu. aqui. onde eu estou reaprendendo a me encontrar e a me perder. onde eu aprendi que existe uma parada mais perto do trabalho do que a que eu descia até a semana passada.

e restam as lembranças...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

da profissão de revisora

não que eu ache que alguém vá ler esse blog procurando algo como "quero ser revisor de texto... o que esperar da profissão?"

afinal, ninguém de bom senso sonha em ser revisor. mas eu gostaria de dizer o que diabos eu faço da minha vida.

ser revisor é lidar com o erro. em primeiro lugar, o erro do outro. seja por falta de atenção, seja por desconhecimento, seja por pressa, seja por preguiça, seja por estilo, seja por "humanidade". everybody mistakes. o trabalho do revisor é trabalhar com o erro dos outros e tentar fazer isso da maneira melhor possível. e é aqui que mora o problema.

se errar é humano e o revisor é um ser humano, o revisor tem que lidar, em segundo lugar, com o erro dele mesmo. como assim, hiiiires? ora bolas, o bom revisor, o cara que faz tudo redondinho, é aquele que sempre desconfia de si mesmo. e eu to falando sério.

o revisor sabe-tudo sempre e eu repito sempre saberá dos erros que conhece. aparece qualquer coisa que ele nunca viu na vida e pronto: ele errará! o revisor é o cara que pesquisa, olha no dicionário toda hora, acha o volp o livro do século e o google o pai da humanidade... o revisor é o ser que desconfia de tudo, até do especialista.

ser revisor é o trabalho mais infeliz porque o erro rodeia. mas também às vezes parece que há um leprechaum que protege o pc de toda raça e que dá um estalinho, que chama pro dicionário, que desconfia do hífen ou do acento.

no meu caso, ser revisora também significa passar, além das 8 horas normais, muitas horas extras em cima do salto e maquiada, sem perder a classe do erro.


***

aos anônimos:
saibam que eu não costumo responder nada, mas essa merece...

o blog é meu e eu falo do que eu quiser.
se não quer ler, deleta do histórico, honey...
thanks!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

notas esparsas com títulos individuais

da família

que mãe manda pro e-mail do trabalho da filha uma mensagem com palavrão?

sim, a minha!

alugando um apartamento estou eu. e meus pais estão asinando os papéis em conjunto comigo, pois o meu contrato e a minha carteira assinada saíram tarde demais.

então, no dia em que visitei o meu futuro lar, perguntei se podia ter gatinhos e recebi um sim veemente como resposta. eis que no contrato havia uma cláusula que dizia expressamente que esses animais não poderiam habitar o prédio.

porém, meus pais somente viram tal absurdo quando fora assinar o bendito papel na capital federal às vésperas de sua décima quarta lua de mel.

mamis, em sua sapiência, me ligou no domingo, às 23h, me pedindo para resolver o problema. eu, que acabara de chegar do trabalho (é... no more life, babies), avisei que não poderia resolver nada naquele momento e pedi que me mandasse um e-mail com o número da imobiliária para resoluções no próximo dia útil em horário comercial. e ela ainda soltou a piadinha: "qualquer coisa, eu fico com os filhotes!" (ela desenvolveu adoração pelos felinos)

às 14h chega um e-mail de autoria da minha progenitora dizendo que eles resolveram tudo. e com a seguinte frase:

"A imobiliária disse que não tem problema. mas pede uma autorização por escrito porque se eles nos FUDEREM (caixa alta minha) depois com multa, não vão poder!"

alguém me responde: como eu ainda sou uma pesso trabalhadora, honesta, querida, casadoura?? como eu não virei a amy?? como eu não estou jogada numa poça de lama?? hein? hein? como eu ainda me formei, fiz mestrado e trabalho honestamente pra me sustentar??

beijo, mamis! te amo, viu? boa lua de mel em teresina!

(eu sei que ela lê e ADORA esse blog!)

***

da troca de peso

hoje precisávamos de um antropólogo. eu, boa pessoa que sou, me lembrei de uma pessoa má que eu conheço que quase terminou o mestrado em ciências sociais (como quase terminou tudo na vida) e indiquei. e avisei: "só não digam que fui eu que indiquei porque ele não vai aceitar..."

ainda por cima perguntei: "esse cara aí tá me devendo uma grana preta... posso ficar com a grana que ele ganhar?" claro que não foi a resposta.

burro que é, não atendeu o telefone. perdeu de ganhar alguns bons reais.

bem informada que sou também fiquei sabendo que ele anda desfilando com uma criatura que dá o triplo de mim na época em que eu dava o triplo de mim. não que isso seja exatamente problema meu e não que isso me dê algum tipo de recalque.

até porque esse tipo de coisa deixa a gente mais pra baixo. leo, meu amado comparsa de trabalho, diz que quando a gente é trocado por alguém muito melhor a gente pensa "ui, sou gato(a)!", mas por alguém pior a gente pensa "credo, sou assim????"

bom, altruísta fui. besta ele foi.

agora que eu sobro nas roupas, estou mais bonita, mais elegante, estou num emprego chique e desfilo pela paulista... a única coisa que posso pensar é que o moço fez uma troca de peso. e perdou uns mil e quinhentos reais de birra.

coitado dele. não de mim...

***

da saudade

e o beijo-mino de hoje vai para...

duana e gláucia que me ligam meio alcoolizadas em plena sexta-feira ME MATANDO DE INVEJA enquanto eu estou ME MATANDO DE TRABALHAR!
vacas, eu sou um playstation com sentimentos e eu amo vocês! very very much!

momento clichê passou. aperta o start que eu volto a não ter um coraçãozinho para o mortais...

sábado, 29 de maio de 2010

da descoberta

I make them good boys go bad


ui... poder de mino...

terça-feira, 25 de maio de 2010

da novidade

ganhei, finalmente, uma mesa no trabalho...

com direito à vista pra paulista do décimoterceiro andar...

arruda, daqui pra frente, é só plantinha pra tirar o mau olhado!

domingo, 23 de maio de 2010

da troca

meu reino por uma massagem

meu reino por uma massagem e um homem bonito

meu reino por uma massagem, um homem bonito e, depois, 12 horas de sono ininterruptas...

(continue a frase...)

sábado, 22 de maio de 2010

da utilidade dos homens

decidi que preciso de um namorado...

e que preciso de um namorado por dois motivos.

a) pra ele me dar uma melissa lady dragon iv, com lindas cerejinhas em cima.

b) depois de uma semana de horas extras (eu saio, teoricamente, do trabalho às 17h30 e tenho saído às 23h todos os dias), ganhar uma massagem quando eu chego em casa não teria preço!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

do trabalho

porque, como diria o flor* (amado colega de trabalho), dormir oito horas é para os fracos!

ter vida social é para os sortudos...

e trabalhar tanto é uma delícia!


*flor é apelido, óbvio! mas que ele é uma flor de pessoa, ele é...

terça-feira, 18 de maio de 2010

do rei do inferno e seus asseclas amalucados

trabalhar na avenida paulista tem suas peculiaridades.

uma delas são os protestos. todos os dias, enquanto reviso-leio-virgulo-pontuo-acentuo-rabisco, tem uma criatura berrando a plenos pulmões o que acredita ser a maior injustiça já vista. o mais impressionante é que, a cada dia, a criatura muda e a maior injustiça já vista também.

a outra são os jornaiszinhos. hoje ganhei uma pérola maravilhosa. na verdade, procuro quem escreve o jornal até agora porque o bendito não tem expediente, ficando difícil encontrar a autoria da peça.

stop a destruição do mundo tem como tema, nesse mês, a falácia das vacinas. por quê? vacinas matam! quem nunca pensou nisso antes! erradicamos o sarampo por mera coincidência, não porque vacinamos as crianças. e o melhor: no jornal, todos os dados são da frança, da suécia... nenhum do brasil. incrível, né?

mas o auge, coleguinhas, é a matéria chamada "A Orientação Bacteriológica de Pasteur é Totalmente Invertida". nela, o autor (essa é assinada) explica que tudo que está acontecendo (terromotos, furacões e até os problemas psicológicos) são culpa nossa! não eventos da natureza ou eventos químicos. mas (citando) "são devidos aos transtornos que elaboramos com nossa conduta patológica, ao aceitar o acordo com o rei do inferno (Lúcifer) e seus asseclas amalucados - de maneira que estamos encalacrados, dentro de um círculo infernal de desespero, agressão e destruição".

o melhor: marquem psicanálise com ele, marquem!

enquanto isso, eu to aqui, com os asseclas amalucados dos meus colegas de trabalho...

domingo, 16 de maio de 2010

das frustrações

essa lição-mino vai assim: de graça e sem contexto...


eu não tenho culpa das tuas frustrações, baby!
acha ruim aonde eu cheguei?
da próxima vez, pega o caminho que eu peguei e não enche!

e bleh!

terça-feira, 11 de maio de 2010

do sobrinho emprestado

meu querido sobrinho emprestado, eduardo, conseguiu ficar de recuperação em artes e educação física.

sendo perguntado: "como?", (afinal, ele passou em matemática-física-química) o moleque me explicou.

- nina, é que a aula de artes é muito chata. daí eu não presto atenção. na prova, tinha que comparar dois artistas que eu não conhecia. então, eu fiz uma comparação entre macgyver e chuck norris...

fui explicar ao moleque que ele pediu pra ficar de recuperação. e, como boa nina-mino que sou, ensinei a seguinte lição:

- a gente só faz esse tipo de piada com quem a gente pode ferrar. quando o outro pode ferrar a gente, o negócio é pisar miudinho. até porque tu não é nem o macgyver, nem o chuck norris.

acho que ele entendeu...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

dos pássaros

que vale mais que um na mão do que dois voando
todo mundo sabe...

agora qual deles soltar quando se tem dois na mão
o ditado não diz...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

da inspiração

duas doses pra mim, plix!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

diário portoalegrense

a gente se acostuma com tudo. a gente se acostuma a não morar no lugar em que morou durante 10 anos. a gente só não se acostuma que três dias é pouco demais.

ainda mais depois que meu avô foi internado e depois minha avó foi internada e que os dois estavam mais do que carentes de netinha e ficaram grudados em mim.

a gente também não se acostuma ficar sem gatinhos conversando miaus miaus e dormindo na cabeça e nas coxas.

a gente não se acostuma ficar sem as melissas e sem os sapatos e sem os casacos e as coisas que não couberam nas três malas que eu trouxe.

a gente não se acostuma de não conseguir ver os amigos queridos nos diaszinhos.

mas a gente se acostuma ao resto. e até sente falta do sofá-cama, do escritótio-quarto e do limbo existencial...